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Funcionários de saúde na Nigéria desperdiçam medicamentos para a malária dispendiosos

27 August 2015

Os fornecedores de serviços de saúde formados para administrar testes de diagnóstico rápido da malária (RDT) continuam a prescrever os valiosos medicamentos antipalúdicos a pacientes que não sofrem de malária, de acordo com um novo estudo publicado na revista PLOS ONE.

 

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Press release

Quase 5000 participantes de 40 comunidades participaram no estudo em diferentes infraestruturas de saúde públicas, farmácias e pontos de venda de medicamentos no estado nigeriano de Enugu. Apesar da existência de três intervenções de formação diferentes e da satisfação demonstrada com os cursos e materiais, as taxas de utilização dos RDT permaneceram inferiores a 50%.

Os investigadores do Consórcio ACT (Terapia Combinada à base de Artemisinina) ou ACT Consortium em inglês, da Universidade da Nigéria e da London School of Hygiene & Tropical Medicine no Reino Unido dividiram os funcionários dos serviços de saúde em três grupos, para receber formação em RDT ou a mesma formação com uma campanha adicional de saúde em escolas, enquanto o grupo de controlo recebeu instruções básicas sobre a utilização de RDT. O primeiro grupo teve a taxa mais elevada de utilização dos testes (48%), especialmente em infraestruturas de saúde públicas.

 

 

O Prof. Obinna Onwujekwe da Universidade da Nigéria, principal autor do estudo, afirmou: "Este estudo confirma que o tratamento da malária com base apenas em sinais e sintomas permanece um comportamento enraizado, difícil de mudar. Se os governos pretendem que os RDTs se direccionem com eficácia para a utilização das ACTs, evitando a sua utilização indevida, é necessário suporte através de diferentes intervenções sustentadas e intensivas para alterar o comportamento dos fornecedores de serviços de saúde e as expectativas dos pacientes e respetivas famílias."

Dr. Virginia Wiseman, economista da saúde da London School of Hygiene & Tropical Medicine e também uma das principais investigadoras do estudo, afirmou: "Diversos estudos têm investigadado o desempenho dos RDTs em cenários ideais. Com esta investigação, o nosso objectivo era avaliar a forma como as nossas intervenções influenciaram os comportamentos, de acordo com os diferentes serviços de saúde e contextos. Demonstrámos que a formação profissional por si só não é suficiente para compreender todo o potencial de um RDT. Devemos continuar a explorar formas alternativas de encorajar os fornecedores a administrar o tratamento adequado e a evitar a utilização indevida de medicamentos valiosos, especialmente no sector privado, onde descobrimos os níveis de utilização testes mais reduzidos."

Actualmente, muitos funcionários dos serviços de saúde em países endémicos da malária tratam normalmente os pacientes com base em sinais e sintomas, sem efectuar análises ao sangue para aferir a presença de parasitas da malária, conforme a recomendação da Organização Mundial de Saúde. Tal pode resultar no sobrediagnóstico de malária em pacientes com febre e na administração de um ACT desnecessário.

A microscopia é um método que requer equipamento laboratorial e pessoal qualificado, enquanto os RDTs são uma ferramentas alternativa e simples, com necessidade de formação mínima, para diagnosticar a malária. Estes testes rápidos podem ajudar os funcionários dos serviços de saúde e os fornecedores em locais remotos a prescrever o tratamento correto para a malária.

Os estudos do ACT Consortium são financiados por uma bolsa da Bill & Melinda Gates Foundation para a London School of Hygiene & Tropical Medicine. 

 

 

Photo: Children at malaria awareness activities in a Nigerian school

Credit: REACT team

 

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