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Estudo realizado na Nigéria conclui que 1 em 10 medicamentos para a malária são de fraca qualidade

28 May 2015

Após uma análise rigorosa a mais de 3.000 medicamentos para a malária comprados em Enugu, na Nigéria, concluiu-se que 9,3% eram de fraca qualidade, de acordo com um novo estudo publicado no PLOS ONE. Medicamentos de qualidade inferior mais predominantes do que as falsificações no país do mundo mais assolado pela malária.

 

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Press release

Os investigadores concluíram que 1,2% das amostras eram falsificadas e que 1,3% estavam degradadas, mas mostraram-se particularmente preocupados com o facto de cerca de 6,8% terem uma qualidade de fabrico inferior, deixando os pacientes em risco de não receberem a dose de tratamento correcta e contribuindo potencialmente para o desenvolvimento de resistência ao principal medicamento utilizado para tratar a malária.

A equipa do programa de qualidade dos medicamentos do ACT Consortium (ACT - terapia combinada à base de artemisina) da London School of Hygiene & Tropical Medicine analisou 3.024 medicamentos para a malária contendo artemisina (o componente que confere eficácia ao tratamento da malária) na metrópole de Enugu, no Sueste da Nigéria, que tem uma população de 3,3 milhões. A Nigéria é o país do mundo mais assolado pela malária, registando 48 milhões de casos de malária e 180.000 mortes por ano.

O Dr. Harparkash Kaur, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, investigador principal do programa de qualidade dos medicamentos do ACT Consortium, afirmou: “Apesar de estes resultados suscitarem receios, são animadores quando comparados com os relatórios anteriores, que concluíram que mais de 35% dos medicamentos para a malária na África Subsariana falhavam na análise do teor de produtos químicos – por outra palavras, eram de fraca qualidade. Isto pode dever-se ao facto de os referidos relatórios recorrerem predominantemente a uma abordagem de “conveniência” na selecção das amostras para análise, que pode não ser representativa dos locais onde os pacientes compram os seus medicamentos.”

A equipa comprou medicamentos em 421 estabelecimentos de retalho de Enugu, incluindo farmácias, postos de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica e serviços públicos de saúde. Para além da amostragem de “conveniência”, que carece de orientações sistemáticas sobre os estabelecimentos de retalho onde as amostras devem ser obtidas, foram também compradas amostras junto de uma amostra representativa de estabelecimentos de retalho. Foram utilizadas duas abordagens na amostragem representativa: uma abordagem dissimulada, utilizando “clientes mistério”, no âmbito da qual os investigadores simularam ser pacientes com malária, ou familiares dos mesmos, que queriam comprar medicamentos; e uma abordagem “aberta”, no âmbito da qual os investigadores disseram abertamente aos vendedores que iriam analisar a qualidade dos seus medicamentos para a malária.

Cada amostra foi analisada em três laboratórios independentes situados no Reino Unido e nos EUA e classificada como de qualidade aceitável, falsificada (medicamentos falsos que não contêm o princípio activo farmacêutico, ou API, indicado), de qualidade inferior (contendo quantidades inadequadas do princípio activo), ou degradada (com decomposição do API devido às más condições de armazenamento, tais como o calor e a humidade).

Todos os três métodos de amostragem detectaram medicamentos falsificados, mas a prevalência foi superior nas amostras compradas utilizando a abordagem da “conveniência”.

As amostras falsificadas continham produtos químicos diversos do API indicado, tais como a clorzoxazona (um relaxante muscular), a ciprofloxacina (um antibiótico), ou o acetaminofeno (um analgésico de utilização comum).

A equipa identificou igualmente comprimidos de monoterapia à base de artemisina, que já não são recomendados pela Organização Mundial de Saúde devido ao facto de não conterem o composto associado que assegura a eficácia da terapia combinada à base de artemisina. Algumas destas monoterapias estavam igualmente falsificadas.

Em Enugu, registou-se uma maior prevalência dos medicamentos de qualidade inferior ou degradados do que os medicamentos falsificados. Os medicamentos de fraca qualidade foram frequentemente encontrados em postos de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica – também conhecidos por "drug shops" – em vez das farmácias.

Um dos co-autores do estudo, o Prof. Obinna Onwujekwe da University of Nigeria em Enugu, afirmou: “Os resultados demonstram que os intervenientes dos sistemas de saúde da Nigéria e de outros países devem estar sempre vigilantes para assegurar que os medicamentos de qualidade inferior não impedem nem prejudicam os avanços alcançados no tratamento da malária. As autoridades reguladoras dos medicamentos e os seus parceiros devem intensificar as actividades de monitorização da qualidade dos medicamentos, aplicando sanções apropriadas aos infractores.”

O extenso programa de qualidade dos medicamentos do ACT Consortium, no âmbito do qual foram analisadas mais de 10.000 amostras provenientes de seis países endémicos de malária ao longo de cinco anos, publicou recentemente os resultados referentes à Tanzânia e ao Camboja, onde, apesar de os medicamentos de qualidade inferior suscitarem os mesmos receios, não foram encontrados medicamentos falsificados. Os resultados da Guiné Equatorial, Gana e Ruanda serão publicados nos próximos meses.

O ACT Consortium é financiado por uma subvenção concedida pela Bill & Melinda Gates Foundation à London School of Hygiene & Tropical Medicine.

 

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