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Medicamentos para a malária falsificados não são tão comuns como foi anteriormente indicado

20 April 2015

Antimalarial medicines

Os investigadores recebem com agrado estas conclusões tranquilizadoras, mas indicam que os medicamentos de qualidade reduzida continuam a constituir um problema.

 

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Press release

Uma análise rigorosa da qualidade de medicamentos antipalúdicos realizada no Camboja e na Tanzânia não encontraram quaisquer evidências de medicamentos falsos, de acordo com uma nova investigação publicada no American Journal of Tropical Medicine and Hygiene.

No entanto, os investigadores advertem que a vigilância rotineira é crucial, uma vez que existem medicamentos de qualidade reduzida, deixando os pacientes com malária em risco de morte e aumentando o risco de resistência aos medicamentos.

Os relatórios anteriores sugeriam que até um terço dos medicamentos para a malária podem ser falsos. Os investigadores do ACT Consortium (ACT - terapia combinada à base de artemisinina) da London School of Hygiene & Tropical Medicine analisaram 2028 medicamentos para a malária da Tanzânia e do Camboja. As amostras foram seleccionadas de forma rigorosa e representativa, e este é um dos conjuntos de dados recentes mais abrangentes relativamente à qualidade dos medicamentos para a malária.

Os medicamentos foram analisados em três laboratórios independentes no Reino Unido e nos EUA, tendo sido classificados como tendo qualidade aceitável, sendo falsificados (medicamentos falsos por não conterem o princípio activo farmacêutico ou API) ou de qualidade inferior (medicamentos genuínos produzidos por fabricantes autorizados mas que não têm a quantidade de API correcta).

Não foram encontrados medicamentos falsificados em nenhum destes países. No entanto, foram encontrados medicamentos de qualidade inferior em 31% das amostras no Camboja e em 12% das amostras na Tanzânia. 

Na Tanzânia, a equipa de estudo utilizou um sistema de "amostragem por pedido directo", informando os vendedores de medicamentos que a qualidade dos seus produtos seria analisada. No Camboja, os investigadores utilizaram o método de amostragem por pedido directo, assim como uma abordagem de "cliente mistério", na qual actores fingiram ser pacientes com malária, ou familiares, e compraram os medicamentos que lhes foram entregues. Ambos os estudos utilizaram uma abordagem aleatorizada à amostragem de pontos de venda de medicamentos, divergindo de estudos anteriores, que utilizaram sobretudo métodos não representativos para seleccionar os medicamentos para análise.

A Dr. Harparkash Kaur da London School of Hygiene & Tropical Medicine, investigadora principal do programa de qualidade de medicamentos antipalúdicos do ACT Consortium, afirmou: "Embora tenha havido informações alarmantes sobre a prevalência de medicamentos antipalúdicos falsos, o nosso estudo fornece dados extensivos que demonstram que a qualidade dos medicamentos não é tão reduzida, com base numa amostragem abrangente e na análise aqui apresentada. Este tipo de estudo acarreta custos elevados, tanto para a compra como para a análise de medicamentos. A inexistência de medicamentos falsificados no Camboja e na Tanzânia é tranquilizadora, mas a presença de medicamentos de qualidade inferior é definitivamente uma preocupação."

A Dr. Shunmay Yeung da London School of Hygiene & Tropical Medicine, principal autora do estudo no Camboja (um dos epicentros da resistência à artemisinina) afirmou: "A questão dos medicamentos falsificados tem recebido muita atenção em todo o mundo, mas os medicamentos de qualidade inferior são muito mais prevalentes e constituem uma grande preocupação. Além de deixarem os pacientes com malária sem tratamento adequado, o que se pode revelar fatal, podem também contribuir para o desenvolvimento de resistência aos ACT, os medicamentos mais eficazes para a malária. Em geral, o facto de não terem sido identificados medicamentos antipalúdicos falsificados reflecte o impacto positivo do esforço nacional para controlar a qualidade dos medicamentos."

A Dr. Catherine Goodman da London School of Hygiene & Tropical Medicine, que liderou o estudo na Tanzânia, afirmou: "Existe uma necessidade urgente de reforçar a capacidade das autoridades de regulamentação de medicamentos para desenvolver estimativas robustas da qualidade de fármacos que sejam económicas, representativas e atempadas. O nosso estudo economizou custos recolhendo amostras no quadro de uma pesquisa representativa que já estava a ser implementada."

Na Tanzânia, um quarto dos 1737 medicamentos analisados foram pré-qualificados pela Organização Mundial de Saúde, tendo menor probabilidade de ser de qualidade reduzida do que aqueles que não foram pré-qualificados. 

Os investigadores principais salientaram que os resultados das abordagens de amostragem baseadas na conveniência de baixo custo mantêm a sua utilidade para chamar a atenção para o problema. No entanto, as mensagens alarmantes podem ser contraprodutivas, pondo em causa a confiança nos medicamentos e nos sistemas e fornecedores de cuidados de saúde.

Estes são os primeiros resultados publicados do grande programa de qualidade dos medicamentos antipalúdicos do ACT Consortium, que analisou mais de 10.000 amostras de países endémicos da malária ao longo de cinco anos. Os resultados da Nigéria, Guiné Equatorial, Gana e Ruanda serão publicados nos próximos meses.

Os estudos do ACT Consortium na Tanzânia e Camboja foram financiados por uma bolsa da Bill & Melinda Gates Foundation para a London School of Hygiene & Tropical Medicine. O estudo do Camboja recebeu também apoio do Departamento para Desenvolvimento Internacional do Reino Unido.

Photo "Woman buys medicines in Ghana" by Dr Harparkash Kaur

 

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